Existe a ideia, especialmente entre mulheres na saúde, de que cuidar exige aguentar. Aguentar o ritmo, a pressão, o acúmulo e o cansaço. Como se a vocação significasse estar sempre disponível e dando conta de tudo.
Mas não deveria ser assim.
Um estudo recente realizado com 16.731 médicas e médicos de 15 instituições acadêmicas nos Estados Unidos, mostraram que 42% das médicas sofrem com burnout, enquanto apenas 33% dos médicos relatam o mesmo. Mais do que um número, isso nos faz refletir: por que tantas mulheres que cuidam dos outros estão chegando ao limite?
Na UWH, essa conversa importa porque falar sobre liderança feminina na saúde também é falar sobre permanência, bem-estar e condições reais de trabalho. Não basta incentivar que mulheres ocupem espaços se estes continuam sendo sustentados por sobrecarga e falta de apoio. O desenvolvimento profissional não pode vir à custa da saúde.
Talvez um dos maiores desafios hoje seja justamente esse: separar o propósito do autossacrifício. Ter compromisso com o que se faz não deveria significar normalizar o esgotamento, e cuidar com excelência não deveria exigir que alguém se anule no processo.
Por isso, quando falamos em fortalecer mulheres na saúde, também estamos falando sobre construir trajetórias mais sustentáveis. Trajetórias em que exista espaço para crescer e liderar, mas que ao mesmo tempo, permita reconhecer nossos limites. Porque trabalhar com propósito é importante. Mas trabalhar não deveria adoecer quem cuida.
Leia a pesquisa completa aqui: Mediating Factors and Well-Being Differences by Gender Among Academic Physicians